Bruno Resende Ramos, escritor de contos fantásticos e editor do website “Contos das Almas”, publicou em 2007 vários trabalhos literários e atualmente coordena um projeto de inclusão literáriia promissora. Com ele novos autores chegam ao mercado. Em campanhas litero-escolares dois projetos em andamento e um no nível virtual que encontra autores e simpatizantes (leitores, críticos, editores etc.) denominado “Nova Coletânea”. Dinamizando processos de produção via parceria, o escritor já tem um acervo próprio de livros nos quais publicou prosa e poesia. Amante das crônicas e dos contos, suas preferências, permitiu aqui lermos um trecho do seu consagrado personagem dos agrestes, Três passos à morte. Leiam e se divirtam, alimentando a criticidade e o colóquio com as letras. A ele nossos parabéns!
Edição
TRÊS PASSOS À MORTE
Matutando sob o sol, sempre a falar consigo mesmo, o nosso juramentado justiceiro, o paladino das sertanias de Mangocegipe, conhecido como “Três passos à morte”, traduz a inquietação que habita no peito agreste dos que sofrem a suposta injustiça do destino. Quero salientar que não defendo a tese de que a violência é um mal em si, mas muitas vezes um fruto ou produto das circunstâncias da nossa vida.
“Três Passos”, homem cujo nome é uma sentença fundida ao medo e ao terror, indica a todos a mínima distância para a convivência harmônica com seu sofrimento e sensibilidade. Um dia fui lhe perguntar o porquê do seu nome. Guardei distância e o ouvi. O seu relato vem a seguir, mas peço a atenção do leitor para a locução do jagunço que, por vezes, alimenta sua loucura, tocaiando com as palavras, desconfiado das crenças do nosso julgamento. A sua fama vem de longe. Homem de tocaias, instinto das raposas e dos coiotes, ele assim me falou:
-Covarde, eu? Não. Eu só pratico a justiça que interpreto. No Brasil, cada um não tem a sua? Pois intão, eu também tenho a minha…
Disse- me que acontecem coisas em nossa vida que fogem ao nosso domínio e não encontram explicação nesse mundo de obviedades. Tenho para mim que ele nasceu sem a égide (escudo) do destino que é comum a maioria das pessoas. Tudo haveria de suceder a alguém nesse mundo, senão não haveria crimes, catástrofes etc. Se a mira do acaso não o achasse a balas perdidas em todo lugar por onde andou, tudo bem! Mas noto esse registro como a marca antecipada dos seus pés no chão antes que o infeliz desse o derradeiro passo, por quê? Aí está uma resposta que não posso dar. Ele continuava:
Disponível em livro “Contos fantásticos Vol. 7″